
Quando Cass McCombs entrou no palco BacanaPlay, o sol ainda se refletia no rio Coura e a encosta estava coberta de festivaleiros entre mantas, cervejas e uma curiosidade atenta. O músico californiano, conhecido pela sua escrita introspectiva e pela recusa em seguir convenções da indústria, trouxe à 31.ª edição do Vodafone Paredes de Coura um concerto sereno, mas carregado de intensidade subtil.
Com mais de duas décadas de carreira e 13 discos editados, McCombs apresentou sobretudo canções do mais recente Seed Cake On Leap Year (2024). Entre guitarras que oscilavam entre a doçura folk e a densidade do rock, o público encontrou um espaço de contemplação — uma pausa rara no ritmo frenético de um festival. As letras, muitas vezes enigmáticas, ecoaram no vale como pequenas histórias abertas à interpretação, acompanhadas por arranjos que cruzaram jazz, folk e até ecos latinos.
A atuação teve um tom intimista, quase minimalista, sem grandes artifícios cénicos. O foco estava na música e na entrega do artista, que se manteve discreto entre canções, mas profundamente envolvido em cada acorde. A resposta do público foi contida, mas calorosa: aplausos demorados, cabeças em balanço e uma atenção quase reverente.
No anfiteatro natural da Praia Fluvial do Taboão, o concerto de Cass McCombs mostrou que o festival não vive apenas de explosões sonoras e refrões de multidão. Há também espaço para artistas que convidam à escuta paciente e ao mergulho interior.
Foto: Ana Ribeiro








