
Poucas bandas conseguem transformar um vale em palco de celebração coletiva como os Franz Ferdinand. No último dia do Vodafone Paredes de Coura, os escoceses provaram, pela terceira vez na sua história com o festival, porque continuam a ser uma das formações mais queridas e energéticas do indie rock mundial.
Com o anfiteatro natural completamente cheio, Alex Kapranos entrou em palco com a habitual pose elegante, pronto para conduzir uma viagem que uniu nostalgia e presente. Desde os primeiros acordes de “No You Girls”, a multidão respondeu em uníssono, num coro vibrante que se manteve até aos derradeiros minutos do concerto.
Os clássicos estiveram todos lá: “Take Me Out” foi recebida como um hino geracional, com milhares de vozes a ecoar pelas margens do Taboão, enquanto “Do You Want To” transformou o recinto numa pista de dança improvisada. O público, de braços erguidos, acompanhava cada refrão como se fosse parte da própria banda.
Mas não foi apenas de memórias que se fez a noite. O grupo apresentou também temas do novo álbum, The Human Fear, a editar em janeiro de 2025, mostrando uma faceta mais atual, mas sem nunca perder a energia contagiante que lhes valeu lugar cativo na história do festival. Entre canções, Kapranos não escondeu o entusiasmo pelo regresso a Coura, sublinhando a ligação especial com o público português.
O concerto terminou em apoteose, com o público a aplaudir longamente, consciente de ter assistido a um dos pontos mais altos desta edição. Entre veteranos que já tinham vivido os concertos de 2009 e 2014 e novos fãs, a noite provou que, em Paredes de Coura, os Franz Ferdinand são mais do que cabeças de cartaz: são parte da identidade do festival.
Fotos: Ana Ribeiro










