The Damned reacendem o espírito punk em Vilar de Mouros

A noite de 21 de agosto de 2025 ficará gravada na memória dos que encheram o recinto do CA Vilar de Mouros. Os lendários The Damned, pioneiros do punk britânico, subiram ao palco e transformaram o festival numa viagem elétrica pelo passado e presente de uma cultura que continua viva e pulsante.

Desde os primeiros acordes, a atmosfera tornou-se incandescente. O público, formado por diferentes gerações, vibrou com a mesma intensidade — uns revisitando memórias, outros descobrindo pela primeira vez a força bruta de uma banda que ajudou a definir um género. A energia era palpável: saltos, punhos erguidos e gritos em uníssono, como se cada refrão fosse um grito de liberdade.

O carisma irreverente da banda, liderada por Dave Vanian, fez do concerto muito mais do que uma atuação musical — foi uma celebração da irreverência, da rebeldia e da eterna juventude do punk. Clássicos como “New Rose” ecoaram pelo vale minhoto, carregados de uma fúria contagiante que parecia atravessar décadas e fundir o passado com o presente.

O cenário bucólico de Vilar de Mouros, com o rio e as colinas a emoldurar o palco, criou um contraste quase poético com a intensidade sonora dos The Damned. Era como se a paisagem, testemunha de tantos concertos históricos, se curvasse mais uma vez diante de uma noite de pura catarse coletiva.

No final, ficou a certeza: o punk não morreu. Em Vilar de Mouros, ele renasceu com a mesma chama, rugindo nas vozes de milhares e reafirmando que certas músicas não envelhecem — apenas ganham mais força com o tempo.

Fotos: Ana Ribeiro