Girl Scout encantam Vilar de Mouros com indie-pop delicado e confessional

a noite de 22 de agosto de 2025, o palco do CA Vilar de Mouros tornou-se um espaço de intimidade e contemplação quando os suecos Girl Scout entraram em cena. Num festival tantas vezes marcado pela fúria do rock e pela energia explosiva, a banda trouxe uma pausa luminosa, feita de melodias frágeis e letras que soavam como confidências.

Desde os primeiros acordes de “Weirdo”, o público percebeu que estava prestes a viver um momento especial. A voz de Emma Jansson, suave e quase etérea, parecia conversar diretamente com cada pessoa na plateia, como se cada canção fosse uma carta aberta escrita no calor da noite minhota.

Entre temas como “Boy in Blue” e “All the Time and Everywhere”, a banda desenhou um ambiente sonoro íntimo e poético. A guitarra de Viktor Spasov pintava paisagens melódicas delicadas, enquanto a bateria de Per Lindberg e o baixo de Kevin Hamring sustentavam com firmeza essa atmosfera quase onírica.

A plateia, silenciosa e atenta, absorvia cada detalhe — os versos, os sussurros, as pequenas pausas carregadas de emoção. Era como se, por instantes, o festival parasse para escutar. O cenário natural de Vilar de Mouros, com as colinas envolventes e o céu estrelado, amplificava a sensação de que o tempo tinha abrandado.

Quando o último acorde ecoou no vale, não houve gritos estrondosos nem explosões de euforia. Houve antes um aplauso prolongado, sentido, acompanhado de olhares emocionados e sorrisos discretos. Foi o reconhecimento de que os Girl Scout não só deram um concerto, mas partilharam um pedaço da sua alma.

Nessa noite, Vilar de Mouros não foi apenas palco de música: foi palco de fragilidade transformada em força, de emoção transformada em memória.

Fotos: Ana Ribeiro