
Na noite de sexta-feira, Samuel Úria subiu ao palco do Coliseu do Porto para apresentar o espetáculo “2000 A.D.”, inspirado no álbum homónimo, num concerto que reafirmou a sua relevância e singularidade no panorama musical português.
Perto de encher a sala, o músico de Tondela ofereceu ao público uma atuação intensa, marcada pela ironia poética, pela emoção e por uma entrega total.
O concerto abriu com temas do novo disco — entre eles “2000 A.D.”, “Fica Aquém” e “Cedo” — num alinhamento que oscilou entre momentos de introspeção e explosões de energia. Com a sua habitual postura descontraída e o humor que pontua as canções, Úria soube equilibrar crítica e ternura, mantendo o público envolvido do início ao fim.
O espetáculo incluiu ainda revisitações de temas emblemáticos da sua carreira, como “Lenço Enxuto” e “É Preciso Que Eu Diminua”, apresentados com novos arranjos e uma banda em plena forma. A cenografia discreta e a iluminação meticulosa ajudaram a criar um ambiente intimista, mesmo na imponência do Coliseu.
Durante a atuação, o cantor refletiu sobre o papel da arte e da canção num tempo que, nas suas palavras, “cheira mal” — uma alusão direta às tensões contemporâneas que atravessam a sua escrita. A honestidade das palavras e a força da interpretação valeram-lhe prolongadas ovações, culminando num encore comovido.
No final, Samuel Úria agradeceu ao público portuense e à equipa que o acompanha há mais de uma década. O concerto, integrado na digressão nacional de “2000 A.D.”, confirmou o artista como uma das vozes mais singulares da canção portuguesa — capaz de unir o sagrado e o profano, a sátira e a devoção, a reflexão e o prazer puro de estar em palco.
Foto: Ana Ribeiro


















