
Os OneRepublic regressaram ontem a Lisboa para um concerto esgotado na MEO Arena, oferecendo uma atuação marcada por rigor musical, arranjos meticulosamente construídos e uma forte aposta em produção audiovisual, consolidando a banda como uma das formações pop-rock mais consistentes da última década.
A apresentação integrou a digressão “Escape to Europe”, que acompanha o mais recente álbum Artificial Paradise, um trabalho onde a banda expande a sua abordagem pop contemporânea com elementos eletrónicos, texturas ambientais e camadas rítmicas mais arrojadas. Ao vivo, essas nuances foram amplificadas por um desenho sonoro robusto, com especial destaque para a secção rítmica e para o trabalho de sintetizadores, que ganharam protagonismo em faixas como “Mirrors” e “Brightest Lies”.
Ryan Tedder, conhecido pelo seu trabalho enquanto produtor e compositor para artistas de topo, mostrou novamente a sua capacidade vocal e controlo técnico, alternando com fluidez entre registos mais suaves e momentos de intensidade dinâmica. A sua performance esteve suportada por backing vocals equilibrados e por uma banda em total sintonia, com uma execução instrumental precisa que evitou excessos e privilegiou clareza e definição.
A setlist apresentou um balanço eficaz entre clássicos — “Counting Stars”, “Secrets”, “Apologize”— e material recente. O público, diverso e altamente participativo, respondeu fortemente aos arranjos renovados de temas mais antigos, que ganharam nova vida através de re-harmonizações subtis e variações rítmicas introduzidas para esta digressão.
A quase década desde a última passagem pela MEO Arena fez-se sentir apenas no entusiasmo redobrado dos fãs, e não na vitalidade artística do grupo. Se Artificial Paradise sinaliza um novo ciclo sonoro para os OneRepublic, a noite de ontem provou que a banda continua a dominar a fronteira entre acessibilidade pop e sofisticada construção musical — uma combinação que poucos conseguem sustentar com a mesma consistência.
Fotos: Rui Pereira







