
Havia expectativa, nostalgia e uma inevitável dose de curiosidade. Após vários anos de ausência dos palcos portugueses, os britânicos The XX regressaram ao Porto para encabeçar a primeira noite do Primavera Sound 2026 e corresponderam plenamente ao estatuto de um dos concertos mais aguardados do festival. A atuação no Parque da Cidade representou não apenas um reencontro com o público português, mas também a afirmação renovada de uma das bandas mais influentes da música alternativa do século XXI.
O trio formado por Romy Madley Croft, Oliver Sim e Jamie xx regressou aos palcos internacionais em 2026 após um longo hiato, trazendo consigo uma maturidade artística construída tanto no percurso coletivo como nos projetos a solo desenvolvidos nos últimos anos. O concerto do Primavera Sound Porto integrou essa nova fase da banda, conciliando o legado dos seus três álbuns de estúdio com elementos que refletem a evolução individual dos seus membros.
Desde os primeiros momentos, ficou evidente a capacidade única dos The XX para criar intimidade em grandes espaços. O palco principal do festival transformou-se num ambiente quase cinematográfico, onde as guitarras minimalistas de Romy, as linhas de baixo subtis de Oliver Sim e a produção eletrónica refinada de Jamie xx construíram uma atmosfera hipnótica. Num festival marcado por propostas sonoras muito distintas, a banda optou pela contenção, permitindo que as canções respirassem e encontrassem eco numa audiência completamente rendida.
Ao longo do espetáculo, os britânicos percorreram alguns dos temas mais marcantes da sua carreira, revisitanto momentos que definiram uma geração de ouvintes. O público respondeu com entusiasmo visível, acompanhando cada melodia e transformando o recinto num coro coletivo nos momentos mais emotivos. A ligação entre banda e audiência tornou-se particularmente evidente quando milhares de espectadores iluminaram a noite portuense com os telemóveis, criando um cenário de rara beleza.
Visualmente, o concerto apostou numa linguagem elegante e minimalista. Jogos de luz cuidadosamente sincronizados com a música reforçaram o caráter emocional das canções, sem nunca se sobreporem à sua essência. A estética sóbria que sempre caracterizou os The XX manteve-se intacta, mas ganhou uma nova dimensão graças à experiência acumulada pelo trio ao longo dos últimos anos. A recente digressão de regresso da banda tem sido amplamente elogiada pela forma como combina intimismo e impacto visual.
A atuação assumiu também um significado especial por marcar o regresso dos The XX ao Primavera Sound Porto catorze anos depois da sua última passagem pelo festival. O concerto foi encarado por muitos fãs como um momento histórico, refletindo a importância da banda na identidade musical de várias gerações de frequentadores do evento.
Fotos: Ana Ribeiro











