O primeiro dia de Vodafone Paredes de Coura entre a música e o eclipse

KNEECAP | Foto: Ana Ribeiro

O Vodafone Paredes de Coura começou com o rio Taboão a servir de ponto de encontro, o calor a marcar a tarde e milhares de pessoas a chegarem ao recinto para quatro dias de música. Mas, no primeiro dia, houve outro elemento a disputar o protagonismo com os palcos: o eclipse solar.

A programação arrancou ainda durante a tarde, num ambiente descontraído e progressivamente mais movimentado. Joana Alegre abriu o palco Jazz na Relva, acompanhada por André Santos, num concerto marcado pela proximidade com o público. Pouco depois, Henrique Janeiro apresentou temas do novo álbum Reticências, num momento que contou também com a participação de IRMA.

À medida que a tarde avançava, o recinto foi ficando cheio. Miramar, projeto que junta Frankie Chavez e Peixe, levou ao palco Coura Sem Paredes uma sonoridade mais contemplativa, enquanto os Westside Cowboy deram início à programação do palco principal.

Mas o momento mais singular do dia aconteceria ao final da tarde. A Residência, encontro entre First Breath After Coma e Salvador Sobral, coincidiu com o eclipse solar, criando uma ligação pouco habitual entre música e paisagem. Enquanto a luz diminuía sobre o recinto, o público dividia a atenção entre o palco e o céu.

O fenómeno atingiu uma expressão particularmente forte no norte de Portugal e acabou por transformar o concerto num dos momentos mais marcantes da abertura do festival. A música acompanhou a mudança de luz e, durante alguns minutos, o ambiente no recinto assumiu uma dimensão quase suspensa.

Depois do eclipse, Coura voltou a acelerar.

CMAT foi uma das grandes responsáveis pela mudança de ritmo. A artista irlandesa entrou em palco com energia, humor e uma forte componente performativa, conquistando rapidamente o público. Entre canções do seu repertório e uma interpretação de “Bem Bom”, das Doce, o concerto transformou a encosta numa grande pista de dança.

A seguir, Wet Leg trouxeram a força das guitarras. As britânicas apresentaram temas de Moisturizer e recuperaram algumas das canções que marcaram a sua ascensão, como “Chaise Longue”. À frente do palco, o público respondeu com mosh pits e crowdsurfing, num dos momentos mais físicos da noite.

A madrugada ficou entregue aos Kneecap. O trio irlandês encerrou a noite no palco principal com uma atuação tão política quanto energética, cruzando hip-hop, provocação e intervenção social. A resposta do público foi imediata, com a plateia a transformar a frente do palco num espaço de dança e celebração.

Enquanto isso, o palco Coura Sem Paredes manteve a música até mais tarde, com atuações de Greg Freeman, Horsegirl, Capitão Fausto, The Horrors, Getdown Services e University.

O primeiro dia terminou depois de uma sucessão de ambientes muito diferentes, mas unidos pela mesma paisagem. Houve música junto ao rio, concertos ao entardecer, guitarras, dança e uma madrugada de hip-hop. E houve ainda um eclipse, que acabou por oferecer ao festival uma das imagens mais fortes desta edição.

Em Paredes de Coura, a música voltou a encontrar a natureza. No primeiro dia, encontrou também o céu.