Heavenwood celebram três décadas de metal no Coliseu do Porto

Heavenwood | Foto: Bruno Ferreira

Uma noite de sombras, intensidade e memória para celebrar uma das bandas pioneiras do metal português

O Coliseu Box, no Porto, recebeu na noite desta terça-feira, 22 de setembro, uma das formações mais marcantes da história do metal português. Os Heavenwood regressaram à cidade onde construíram grande parte da sua identidade para assinalar três décadas de carreira, numa noite dedicada ao gótico, ao dark metal e às sonoridades de melodic death metal que marcaram o percurso da banda.

Mais do que um simples concerto, o espetáculo foi apresentado como uma celebração de um percurso iniciado há mais de três décadas em Vila Nova de Gaia. Liderados por Ricardo Dias dos Santos, os Heavenwood atravessaram diferentes fases do metal nacional e internacional, construindo uma carreira que os levou a palcos dentro e fora de Portugal.

A noite no Coliseu teve como um dos seus principais pontos de interesse a revisitação da identidade musical que acompanha os Heavenwood desde os primeiros trabalhos. Entre a atmosfera sombria e melancólica do metal gótico e a dimensão mais pesada e agressiva do melodic death metal, a banda apresentou um espetáculo pensado para percorrer diferentes momentos da sua discografia, de Swallow a Redemption.

O imaginário místico e simbólico que tem acompanhado a fase mais recente da banda assumiu igualmente um papel central. O ciclo de The Tarot of the Bohemians, agora encerrado com a edição de Part II, representa uma nova etapa na trajetória criativa dos Heavenwood, mantendo a componente dramática e atmosférica que se tornou uma das suas marcas.

Três décadas de resistência

A história dos Heavenwood confunde-se com a própria evolução do metal português. Desde a edição de Diva, álbum que teve particular importância por ter sido o primeiro trabalho de uma banda portuguesa de metal editado no Japão, até à presença no histórico Wacken Open Air, o grupo foi construindo uma carreira que ultrapassou as fronteiras nacionais.

O regresso ao Porto ganhou, por isso, um significado especial. Foi nesta região que a banda nasceu e desenvolveu a sua identidade, tornando o concerto no Coliseu Box também numa espécie de reencontro com as suas próprias raízes.

Ao longo de três décadas, os Heavenwood foram mudando, reinventando-se e atravessando diferentes fases do metal. A essência, contudo, permaneceu reconhecível: ambientes densos, melodias sombrias, intensidade e uma forte dimensão narrativa.

Um nome histórico do metal português

A passagem pelo Coliseu Box serviu assim para recordar que a história do metal nacional também se escreve através de bandas que, desde os anos 90, procuraram levar a música portuguesa para além das suas fronteiras.

No Porto, os Heavenwood celebraram não apenas 30 anos de existência, mas também um percurso feito de transformação, persistência e procura artística. Uma carreira que começou em Vila Nova de Gaia e que, três décadas depois, continua a encontrar espaço para novas histórias, novos sons e novas interpretações.

No palco do Coliseu, passado e presente encontraram-se numa noite que colocou novamente os Heavenwood no centro da história do metal português — precisamente na cidade onde essa história começou a ganhar forma.

Fotos: Bruno Ferreira