
Na noite de 24 de outubro, a Sala 2 da Casa da Música encheu-se para acolher a apresentação de “FALA”, o sétimo álbum de estúdio de Rita Redshoes. Mais do que um concerto de lançamento, o espetáculo revelou-se um espaço de partilha,empatia e celebração da criatividade feminina, onde a música serviu de ponte entre diferentes gerações e vivências.
Editado a 25 de setembro, “FALA” nasce de uma premissa simples, mas premente: dar palco e escuta às narrativas das mulheres na sociedade contemporânea. Para erguer este projeto, Rita Redshoes desafiou algumas das mais destacadas compositoras e autoras portuguesas — entre as quais Capicua, Márcia, Mafalda Veiga, A Garota Não, Ana Bacalhau, Cláudia Pascoal e Joana Espadinha — a escreverem temas originais. No concerto, a artista portou-se como o fio condutor destas histórias, interpretando canções que abordam desde a maternidade e a intimidade até ao cansaço e às contradições do quotidiano
Um dos momentos mais marcantes da noite estendeu-se para além do alinhamento tradicional do álbum. Fruto de uma residência artística musical promovida antes do concerto, Rita Redshoes trouxe para o palco mulheres da comunidade local do Porto. A integração destas vozes não profissionais conferiu ao espetáculo uma dimensão comunitária e humanista, transformando a interpretação individual num coral de experiências partilhadas.
Acompanhada por uma nova formação de músicos, onde o piano, as guitarras e as percussões dialogaram em constante equilíbrio com a sensibilidade melódica que marca o seu percurso, Rita Redshoes revisitou ainda alguns dos temas mais emblemáticos da sua carreira, entrelaçando o passado com a nova linguagem de “FALA”.
Num panorama cultural que muitas vezes procura simplificar as narrativas, a proposta de Rita Redshoes afirma-se pela pluralidade. Ao dar voz a composições alheias e ao abrir o palco à comunidade, a cantora demonstrou que a música continua a ser um dos instrumentos mais poderosos para promover a escuta e a pertença.
No final da noite, na Casa da Música, ficou a certeza de que “FALA” não é apenas o novo capítulo da discografia de Rita Redshoes, mas sim um projeto vivo, aberto e urgente — onde todas as vozes contam e têm lugar para ressoar.
Fotos: Bruno Ferreira

















