
Havia quem chegasse ao Sagres Campo Pequeno para ouvir os grandes êxitos. Outros vinham para cantar a plenos pulmões aquelas canções que já fazem parte da banda sonora das suas vidas. E havia ainda quem simplesmente quisesse estar perto de Simone Mendes. No final, todos encontraram o mesmo lugar: uma noite de música, emoção e muita celebração.
A cantora brasileira regressou ontem a Lisboa para mais uma passagem por Portugal, num concerto que começou às 21h30 e que voltou a aproximar Simone do público português. A data fazia parte de uma pequena passagem pelo país, com uma segunda atuação marcada para este sábado, 3 de outubro, na Super Bock Arena, no Porto.
Desde os primeiros minutos, percebeu-se que aquela não seria apenas uma noite de música sertaneja. O Campo Pequeno transformou-se num enorme coro, com milhares de vozes a acompanhar uma artista que construiu, em poucos anos de carreira a solo, uma identidade própria e uma ligação particularmente forte ao público.
Uma voz que sabe transformar dor em festa
Simone Mendes tem uma característica rara: consegue transformar histórias de amor, desilusões e recomeços em momentos de celebração coletiva.
É precisamente aí que vive grande parte da força do seu repertório. Canções como “Erro Gostoso”, “Dois Fugitivos”, “Dois Tristes” e “P de Pecado” fazem parte de uma trajetória que se consolidou depois da separação profissional da dupla Simone & Simaria. O sucesso de “Erro Gostoso”, em particular, tornou-se uma das marcas da sua carreira a solo.
No Campo Pequeno, essas histórias deixaram de ser apenas canções. Foram cantadas pelo público como se fossem memórias pessoais, com braços no ar, telemóveis iluminando a plateia e uma cumplicidade permanente entre palco e bancada.
A chamada “sofrência” ganhou, assim, uma dimensão de festa.
Entre o passado e o presente
Um dos elementos mais interessantes do espetáculo é a forma como Simone olha para o seu percurso sem apagar aquilo que ficou para trás.
A carreira a solo trouxe novos êxitos e uma nova identidade artística, mas o público continua a reconhecer na sua voz uma parte da história construída durante os anos em que integrou a dupla com Simaria.
Essa viagem entre passado e presente ajuda a explicar a diversidade de um concerto pensado para diferentes momentos da carreira. Ao lado dos sucessos mais recentes, a artista recupera referências que continuam presentes na memória dos fãs.
O resultado é um espetáculo onde diferentes gerações encontram motivos para cantar.
“O Melhor de Mim”
A passagem por Portugal acontece também numa fase importante da carreira de Simone Mendes. A cantora apresentou aos fãs o seu novo projeto, “O Melhor de Mim”, gravado em Brasília, que reúne novas canções e representa mais um capítulo da sua afirmação enquanto artista a solo.
A própria Simone tem sublinhado a importância desta nova fase. Depois de uma decisão profissional que marcou profundamente a sua trajetória, a cantora surge hoje com uma identidade consolidada e uma relação cada vez mais próxima com o público.
E isso sente-se em palco.
Mais do que demonstrar que consegue preencher uma sala, Simone Mendes parece confortável com o lugar que conquistou. Canta, brinca, emociona-se e deixa que o público participe ativamente no espetáculo.
Lisboa rendeu-se a Simone
O Campo Pequeno foi, durante a noite, muito mais do que o cenário para um concerto. Foi um ponto de encontro entre Portugal e Brasil, entre diferentes histórias e, sobretudo, entre pessoas unidas pelas mesmas canções.
A relação de Simone Mendes com Portugal não é nova. Depois de concertos anteriores com salas lotadas, o regresso da cantora ao país era aguardado com expectativa. A própria promoção do espetáculo destacava precisamente essa ligação com o público português e a promessa de uma noite feita para cantar do princípio ao fim.
Ontem, essa promessa cumpriu-se.
Entre corações partidos, amores complicados, gargalhadas e refrões cantados em uníssono, Simone Mendes mostrou porque continua a ocupar um lugar de destaque na música brasileira contemporânea.
No fim, ficou a sensação de que ninguém saiu exatamente como entrou.
Porque há concertos que se ouvem.
E há concertos que se vivem.
O de Simone Mendes no Campo Pequeno pertenceu claramente à segunda categoria.
Fotos: Cândida Castro













