Viviane leva a voz e a memória da música portuguesa à Casa da Música com «Ela por Elas»

Viviane | Foto: Bruno Ferreira

Numa noite de 28 de outubro na Sala 2 da Casa da Música, no Porto, a cantora apresentou o seu oitavo álbum a solo. Um tributo intimista a grandes ícones femininos da nossa cultura, revisitados com uma identidade sonora muito própria.

Há canções que resistem à passagem do tempo, cruzam gerações e continuam a encontrar caminho até ao nosso coração. Foi exatamente nesse território de memórias e reencontros que Viviane guiou o público portuense, ao apresentar o seu mais recente projeto de originais, Ela por Elas.

O oitavo álbum da artista assume-se como uma carta de amor e gratidão às mulheres que moldaram a história da música portuguesa. Mais do que recriar temas do passado, o espetáculo propôs uma viagem transversal por épocas e universos musicais, dando uma nova pele a canções que integram o património coletivo nacional.

Um legado reinventado com liberdade

Nomes incontornáveis como Lena d’Água, Teresa Salgueiro, Anabela Duarte e Natália Casanova serviram de grande inspiração para o projeto. No entanto, Viviane optou por não reproduzir os originais, preferindo apropriar-se de cada composição e trazê-la para o seu universo sonoro único.

O resultado na Sala 2 foi uma atmosfera delicada e intimista, onde a voz brilhou no centro de arranjos que cruzam o fado mediterrânico contemporâneo, a pop e a música de raiz portuguesa, dando total destaque às palavras e às histórias de cada tema.

Entre os momentos altos da noite esteve a nova leitura de «Como Se Eu Fosse Tua» (originalmente interpretada pelos Salada de Frutas na voz de Lena d’Água). Longe da energia pop-rock original, a versão de Viviane revelou-se profundamente contemplativa e emocional. O alinhamento ficou ainda marcado por pérolas como «A Andorinha»,«Cantiga d’Amor», «Música», «Salvé Maravilha» e «Alfama».

O diálogo entre o passado e o presente

A atuação serviu também para coser a ponte entre o percurso atual de Viviane e a sua história na música portuguesa — recordando o seu papel como cofundadora dos Entre Aspas, banda fundamental dos anos 90, e cruzando-o com temas emblemáticos da sua carreira a solo como «Não Apagues o Amor», «Do Chiado» e «Quando Tiveres Tempo».

Mais do que um simples álbum de versões, Ela por Elas revelou-se na Casa da Música como um exercício de respeito,reconhecimento e liberdade artística. Uma prova viva de que as grandes canções nunca nos deixam verdadeiramente:estão apenas à espera da voz certa para voltarmos a escutá-las.

Fotos: Bruno Ferreira