Alan Sparhawk emociona com concerto catártico no Primavera Sound Porto

Num dos momentos mais intensos e emocionalmente carregados do Primavera Sound Porto 2025, Alan Sparhawk, ex-vocalista e guitarrista dos saudosos Low, ofereceu ao público uma atuação memorável que combinou luto, renascimento e experimentação sonora.

O concerto aconteceu no palco Super Bock ao início da noite de quinta-feira, 12 de junho, e marcou a estreia de Sparhawk em solo português com o seu novo projeto a solo, após a morte da sua companheira e parceira musical Mimi Parker, em 2022. O peso dessa perda esteve presente em cada acorde e em cada palavra, transformando o concerto numa verdadeira comunhão emocional com o público.

Com uma formação reduzida mas poderosa, Alan Sparhawk apresentou temas do seu novo trabalho, onde guitarras saturadas, loops hipnóticos e camadas vocais distorcidas convivem com silêncios carregados de significado. O repertório incluiu canções como “Stranger”, “Not Broken” e “White Roses, My God”, recebidas com atenção reverente por parte da audiência — muitos sentados na relva, outros de olhos fechados, absorvendo cada nuance.

Sparhawk demonstrou uma coragem rara: transformar a dor pessoal em arte expansiva, não para entreter, mas para partilhar. Entre o minimalismo emocional herdado dos Low e novas explorações eletrónicas, a sua atuação tornou-se um ritual — uma espécie de oração moderna feita de som, fragilidade e resistência.

Antes mesmo da sua atuação principal, o músico participou no evento “Primavera na Galeria”, na Biblioteca Almeida Garrett, dois dias antes do festival. Ali, já tinha deixado sinais do que traria ao palco: uma música que é menos espetáculo e mais catarse.

Fotos: Ana Ribeiro