
Quando os Unsafe Space Garden entraram em palco, ao final da tarde, não era apenas mais um concerto no Vodafone Paredes de Coura: era um regresso ao lugar onde tantas vezes tinham estado como público, mas agora do lado certo dos holofotes. O sexteto de Guimarães fez da sua estreia no festival uma celebração caótica e cúmplice, transformando o BacanaPlay num espaço sem fronteiras entre banda e plateia.
A atuação começou com energia imediata. Guitarras afiadas, teclados em ebulição e vozes que se alternavam entre o grito e a melodia criaram uma atmosfera de festa desordenada — mas controlada ao detalhe. O público, que inicialmente os recebia com curiosidade, cedo se deixou levar pela irreverência da banda. Em minutos, já havia danças improvisadas, braços no ar e sorrisos cúmplices entre quem estava em cima do palco e quem ocupava a encosta.
“É surreal estar aqui, neste festival que tantas vezes vimos do público”, confessou um dos músicos a meio do concerto. O aplauso foi imediato, sublinhando a dimensão simbólica daquele momento: uma passagem de testemunho que Paredes de Coura tantas vezes proporciona a artistas emergentes.
Os Unsafe Space Garden percorreram canções dos seus quatro trabalhos, do EP Bubble Burst (2019) ao mais recente WHERE’S THE GROUND? (2023), confirmando o seu estatuto de banda difícil de encaixar em rótulos. Misturam humor e intimidade, caos e melodia, como quem acredita que a música é, antes de tudo, um espaço de liberdade.
À medida que o concerto avançava, a sensação era de que o palco se tornava pequeno para tanta energia. O público respondia com entusiasmo, como se já conhecesse de cor cada refrão — e, em certa medida, parecia conhecer, tal era a sintonia instalada.
No anfiteatro natural da Praia Fluvial do Taboão, entre o calor da tarde e a antecipação dos nomes que viriam a seguir, os Unsafe Space Garden deixaram a sua marca: um concerto que, mais do que espetáculo, foi uma partilha coletiva, espontânea e honesta.
Fotos: Ana Ribeiro









