Nilüfer Yanya conquista público de Paredes de Coura com concerto intimista

O sol já descia suavemente sobre a Praia Fluvial do Taboão quando Nilüfer Yanya entrou no palco principal. Às 18h40, o festival parecia suspender o ritmo frenético de cervejas e danças para acolher um outro tempo — mais lento, mais introspectivo, mais íntimo.

Com a sua voz delicada e, ao mesmo tempo, carregada de peso emocional, Nilüfer iniciou um concerto que rapidamente conquistou a atenção total do público. Não havia conversas paralelas nem distrações: a encosta, repleta, parecia respirar ao mesmo compasso das batidas minimalistas e das guitarras etéreas que preenchiam o espaço natural do anfiteatro.

As canções de My Method Actor (2024) foram o fio condutor do espetáculo. Em cada faixa, havia uma inquietação sussurrada, como se a artista londrina estivesse a partilhar confissões privadas com milhares de desconhecidos. Em Coura, essas confissões encontraram eco: olhares fixos, corpos imóveis e um silêncio raro para um festival, quebrado apenas por aplausos longos e demorados.

O contraste com os concertos mais explosivos do dia tornou-se evidente. Onde outros apostaram na energia e no caos, Nilüfer ofereceu pausa e introspeção. O público aceitou o convite: alguns sentados na relva, outros abraçados, muitos apenas de olhos fechados, deixando-se levar pela cadência melancólica que parecia pedir memória e reflexão.

Fotos: Ana Ribeiro