
Às 20h40, quando MJ Lenderman entrou no palco Vodafone, o público já se espalhava pela encosta, preparado para ouvir uma das estreias mais aguardadas da edição. Com guitarra em punho e postura despretensiosa, o músico norte-americano rapidamente conquistou a atenção total da plateia, num concerto que alternou entre intensidade crua e fragilidade confessional.
Lenderman, que também integra os Wednesday, trouxe a Portugal o seu projeto mais pessoal, acompanhado pela banda The Wind. O alinhamento destacou canções de Boat Songs (2022), o disco que o catapultou para o radar internacional, e também temas mais recentes, confirmando o seu estatuto de compositor capaz de unir humor, ironia e desassossego em narrativas sonoras de rock alternativo.
No vale de Coura, a sua música soou como um diálogo direto com o público. Sem grandes discursos, bastou um tímido “olá” para criar cumplicidade. As guitarras afiadas e as letras de melancolia irónica fizeram o resto. “É como se a música fosse a única coisa que nos compreendesse o ego em absoluto”, comentou um espectador à saída, resumindo o ambiente de atenção e entrega que se viveu durante a atuação.
O contraste com outras propostas do dia — como a energia dos Unsafe Space Garden ou a introspeção de Nilüfer Yanya — mostrou a riqueza do cartaz do Vodafone Paredes de Coura. Lenderman trouxe um concerto de rock robusto mas sem excessos, mais interessado em partilhar estados de espírito do que em procurar explosões fáceis.
Com apenas alguns álbuns editados e uma carreira ainda em afirmação, MJ Lenderman deixou em Paredes de Coura a certeza de que a sua etiqueta de “loser” é apenas um disfarce. No palco, revelou-se um vencedor, capaz de encantar com autenticidade, ironia e intensidade.
Fotos: Ana Ribeiro







