Portugal. The Man: O Regresso Triunfal ao Palco de Coura

Já passava da meia-noite quando os Portugal. The Man subiram ao palco principal do Vodafone Paredes de Coura. O anfiteatro natural do Taboão estava cheio, iluminado pelas luzes dispersas das lanternas e ecrãs de telemóvel, à espera de um dos momentos mais aguardados do segundo dia do festival.

A banda norte-americana, formada no Alasca e atualmente baseada em Portland, trouxe ao “couraíso” um espetáculo que equilibrou passado e presente. De um lado, os êxitos que cimentaram a sua carreira internacional, como “Modern Jesus”e o hino incontornável “Feel It Still”, cantado em coro por milhares de vozes. Do outro, os temas do mais recente álbum, Chris Black Changed My Life (2023), que deram corpo a uma atuação marcada pela maturidade e pela melodia densa.

O concerto foi uma viagem entre o psicadelismo pop, o rock alternativo e momentos quase de comunhão espiritual. Em palco, as projeções visuais reforçavam a atmosfera etérea, enquanto o som, sólido e envolvente, percorria a encosta verde. Entre refrões explosivos e passagens contemplativas, havia sempre a sensação de uma banda que conhece o peso do seu percurso e a energia do seu público.

Sete anos depois da última passagem por Coura, o regresso dos Portugal. The Man soou a reencontro. Muitos dos que vibraram com eles em 2016 estavam novamente na plateia — agora a cantar em uníssono com novas gerações. Foi esse o poder da sua atuação: criar um elo intergeracional em torno da música, como se cada canção fosse um território comum partilhado no vale.

Quando chegaram aos últimos acordes, já ninguém tinha dúvidas de que o concerto tinha sido um dos pontos altos da noite. Não pela surpresa, mas pela confirmação: os Portugal. The Man continuam a ser uma banda em plena forma, capaz de transformar um espetáculo num ritual coletivo. Em Paredes de Coura, provaram mais uma vez que sabem ser gigantes sem deixar de ser humanos.

Fotos: Ana Ribeiro