
O terceiro dia do Vodafone Paredes de Coura trouxe ao palco principal uma das atuações mais aguardadas da edição: King Krule, o projeto musical de Archy Marshall. Combinando jazz, punk, hip-hop e post-punk, Marshall apresentou um concerto marcado pela intensidade e introspeção, conquistando o público desde os primeiros acordes.
A atuação teve início ao início da noite, com uma plateia ansiosa que rapidamente mergulhou na sonoridade única do artista. Temas como “Easy Easy”, “Out Getting Ribs” e “Dum Surfer” ganharam vida com a voz rouca e profunda de King Krule, envolta em arranjos densos e atmosféricos. Cada música parecia criar um espaço próprio, alternando entre tensão e suavidade, mantendo a atenção do público em cada detalhe.
Mais do que apenas música, o concerto foi uma experiência sensorial: as luzes minimalistas, o som cristalino e a presença enigmática de Marshall em palco transformaram o anfiteatro natural do Taboão num ambiente hipnótico. Os fãs, de várias gerações, responderam com silêncio atento ou aplausos contidos, numa comunhão rara entre artista e público.
Esta passagem por Paredes de Coura reforçou a evolução artística de King Krule desde a sua estreia no festival em 2017. A maturidade e confiança demonstradas em palco sublinharam a sua posição como uma das figuras mais inovadoras e influentes da música contemporânea.
No fim, enquanto os últimos acordes ecoavam pelo vale, ficou a sensação de ter assistido a um concerto memorável — não apenas pela música, mas pela capacidade de King Krule de transformar cada nota numa viagem emocional intensa e inesquecível.





