
O anfiteatro natural do Taboão transformou-se numa sala de estar ao ar livre na noite de despedida do Vodafone Paredes de Coura 2025. Coube aos Cassete Pirata, uma das bandas mais consistentes da nova vaga da música portuguesa, encerrar o festival com um espetáculo marcado pela intimidade, pela cumplicidade e por uma forte ligação com o público.
Apresentando ao vivo o seu mais recente álbum, A Família (2024), o coletivo liderado por João Firmino (Pir) trouxe ao palco canções que falam de afetos, memórias e laços invisíveis que unem pessoas e lugares. O público correspondeu de imediato: em temas como “A Família” ou “Ferro e Brasa”, as vozes da audiência misturavam-se às da banda, criando um coro que parecia prolongar-se pelo vale inteiro.
Houve espaço para as baladas mais delicadas, que convidaram ao silêncio e à escuta atenta, mas também para os momentos de maior energia, em que a celebração se sobrepôs à contemplação. Essa alternância entre intensidade e suavidade fez do concerto uma narrativa musical viva, capaz de prender os festivaleiros até ao último acorde.
A cumplicidade entre os músicos foi notória — não apenas na execução rigorosa, mas na forma como se olhavam, riam e partilhavam o palco como quem partilha uma sala entre amigos. Essa proximidade estendeu-se ao público, que respondeu com aplausos prolongados e uma atenção rara para o derradeiro concerto de um festival.
Fotos: Ana Ribeiro





