
O quarto e último dia do Vodafone Paredes de Coura 2026 encerrou este sábado, 15 de agosto, quatro dias de música junto ao rio Coura, numa edição que voltou a reunir alguns dos nomes mais relevantes da música internacional e nacional. Entre momentos de intimidade, atuações explosivas e grandes celebrações, o último dia confirmou a capacidade do festival minhoto para construir uma programação eclética, sem nunca perder a sua identidade.
A tarde começou de forma mais contemplativa com Noiserv, que levou ao Palco Coura Sem Paredes a sua habitual abordagem delicada e emocional. O músico português criou um ambiente de proximidade, num concerto que funcionou como uma pausa antes da intensidade que marcaria as horas seguintes.
No Palco Vodafone, Patrick Watson protagonizou um dos momentos mais especiais do dia. Sentado ao piano e acompanhado essencialmente pela sua voz, o músico canadiano transformou o recinto num espaço de enorme intimidade. Longe da grandiosidade de outros espetáculos do festival, Watson mostrou que, por vezes, são precisamente os concertos mais simples que conseguem criar as memórias mais fortes.
A programação continuou com Hudson Freeman, que levou uma nova energia ao último dia de Coura e ajudou a fazer a transição para uma tarde progressivamente mais movimentada.
Cate Le Bon e a força da descoberta
Com Cate Le Bon, o festival entrou num território mais experimental. A artista galesa apresentou uma sonoridade marcada pelo art rock, pela pop alternativa e por uma abordagem muito própria à composição, mantendo o público atento às diferentes texturas criadas em palco.
No segundo palco, Sophia Stel e Julia Mestre acrescentaram diferentes tonalidades à programação. A artista brasileira Julia Mestre trouxe consigo uma sonoridade marcada pela pop e pela música brasileira contemporânea, contribuindo para a diversidade cultural de uma edição que voltou a apostar fortemente na descoberta.
MEUTE transforma Coura numa pista de dança
À medida que a noite avançava, a energia aumentava. MEUTE foram responsáveis por um dos momentos mais físicos do último dia, transformando o anfiteatro natural de Paredes de Coura numa verdadeira pista de dança.
A marching band alemã, conhecida por reinventar temas de techno através de metais, percussão e uma enorme presença em palco, levou ao público uma atuação contagiante. O resultado foi uma explosão coletiva de ritmo, com o público a acompanhar cada batida e a transformar o recinto numa enorme celebração. A presença de MEUTE fazia parte de uma programação que procurou precisamente cruzar a eletrónica com formatos instrumentais pouco convencionais.
Thundercat mostra virtuosismo e liberdade
Outro dos grandes momentos da noite chegou com Thundercat. O baixista, cantor e compositor norte-americano apresentou em Paredes de Coura a sua mistura única de funk, jazz, soul e eletrónica, com o baixo elétrico a assumir naturalmente o centro do espetáculo.
A atuação ficou marcada pelo virtuosismo instrumental, mas também por uma enorme liberdade musical. Thundercat mostrou por que razão se tornou uma das figuras mais respeitadas da música contemporânea, alternando momentos de grande complexidade técnica com passagens mais descontraídas e dançáveis.
Amyl and The Sniffers fecham Coura em explosão
Já depois da meia-noite, Amyl and The Sniffers assumiram o Palco Vodafone para encerrar a programação principal do festival.
A banda australiana trouxe para Coura toda a energia do punk rock, com Amyl Taylor a dominar o palco através de uma presença física e vocal impossível de ignorar. Guitarras agressivas, baterias aceleradas e uma atitude absolutamente irreverente fizeram do concerto um dos momentos mais intensos da última noite.
No Palco Coura Sem Paredes, a madrugada continuou com Prostitute, Dame Area e, já pela manhã, Marie Davidson DJ Set, prolongando a festa para lá dos últimos acordes do palco principal. O alinhamento oficial colocou Noiserv, Hudson Freeman, Sophia Stel, Julia Mestre, Prostitute, Dame Area e Marie Davidson nesse palco, enquanto Patrick Watson, Cate Le Bon, MEUTE, Thundercat e Amyl and The Sniffers compuseram a programação do Palco Vodafone.
O quarto dia encerrou assim uma edição que, entre 12 e 15 de agosto, voltou a fazer da Praia Fluvial do Taboão um dos grandes palcos da música em Portugal. Com nomes como Wet Leg, Underworld, M.I.A., Bloc Party, Benjamin Clementine, Patrick Watson, Thundercat e Amyl and The Sniffers, o Vodafone Paredes de Coura 2026 confirmou uma vez mais a sua vocação para juntar grandes nomes, novas descobertas e experiências musicais distintas num cenário único.
Mais do que quatro dias de concertos, Coura voltou a ser um lugar de encontro. Entre o rio, a natureza, as guitarras, os sintetizadores e milhares de pessoas, o “Couraíso” despediu-se de 2026 com a promessa de regressar no próximo verão.
Fotos: Ana Ribeiro






























