
O CA Vilar de Mouros arrancou esta terça-feira, 18 de agosto, para uma edição histórica que, pela primeira vez, se estende por cinco dias. O festival mais antigo de Portugal voltou a reunir milhares de pessoas na aldeia minhota de Vilar de Mouros, num primeiro dia marcado pela diversidade sonora e por uma sucessão de atuações que atravessaram o rock, o punk, a eletrónica e o metalcore.
A música começou com Tom A. Smith, jovem músico britânico que abriu o palco principal com uma atuação enérgica e segura. Apesar da idade, Smith já conta com passagens por grandes festivais britânicos e concertos ao lado de nomes como Sam Fender, Elton John e Miles Kane, apresentando em Vilar de Mouros uma sonoridade assente no rock clássico, mas com uma abordagem contemporânea.
A seguir, The Molotovs trouxeram ainda mais intensidade ao recinto. A jovem banda britânica, conhecida pelas suas atuações explosivas, assumiu o palco com a urgência característica do rock’n’roll e confirmou porque é apontada como uma das formações emergentes a acompanhar. O grupo já partilhou palcos com nomes como The Libertines, The Sex Pistols, Adam Ant e Blondie, além de ter recebido o apoio dos Green Day.
A energia aumentou com a chegada das Lambrini Girls. O trio britânico transformou o palco num verdadeiro manifesto punk, cruzando atitude, irreverência e uma sonoridade agressiva. A atuação foi marcada pela proximidade com o público e por uma presença em palco que não deixou ninguém indiferente, consolidando um dos momentos mais intensos da primeira metade da noite.
A mudança mais radical surgiu com os Cabaret Voltaire. Pioneiros da música industrial e eletrónica experimental, levaram Vilar de Mouros para um território mais sombrio e vanguardista. A atuação assumiu um carácter especial, sobretudo por marcar o regresso do projeto a um festival onde já tinha atuado há 25 anos. A organização chegou mesmo a destacar a possibilidade de esta ser uma das últimas oportunidades para ver a banda em Portugal.
Depois da viagem pelo universo industrial, foi a vez dos President colocarem o recinto novamente em ebulição. Com uma proposta assente no metalcore e numa forte componente visual, a banda britânica apresentou uma atuação intensa, pesada e teatral. As máscaras e a identidade misteriosa dos elementos da banda ajudaram a criar um ambiente particular, enquanto os riffs e a força sonora conquistavam progressivamente o público.
Quando a noite já estava instalada em Vilar de Mouros, todas as atenções se concentraram no cabeça de cartaz: YUNGBLUD.
O britânico fechou o primeiro dia em alta rotação, confirmando a razão pela qual a sua presença foi determinante para que o festival acrescentasse um quinto dia à edição de 2026. A organização explicou que a disponibilidade do artista apenas permitia a atuação a 18 de agosto e que a sua capacidade de chegar a diferentes gerações de público foi fundamental para a aposta num dia adicional.
Em palco, YUNGBLUD apresentou a energia, irreverência e ligação aos fãs que se tornaram marcas da sua carreira. Entre rock, punk e influências pop, o artista britânico transformou o recinto num espaço de celebração coletiva, com o público a acompanhar cada momento de um espetáculo pensado para ser vivido de forma intensa.
O primeiro dia do CA Vilar de Mouros ficou, assim, marcado por uma viagem musical particularmente diversificada: Tom A. Smith abriu a porta ao novo rock britânico, The Molotovs trouxeram urgência, as Lambrini Girls incendiaram o ambiente com punk, Cabaret Voltaire mergulharam o festival na eletrónica industrial, President carregaram no peso e YUNGBLUD encerrou a noite em pura celebração rock.
Num festival que este ano se prolonga até 22 de agosto, o arranque deixou uma certeza: Vilar de Mouros continua a saber juntar diferentes gerações e linguagens musicais no mesmo espaço, mantendo a sua identidade histórica enquanto abre portas a novos nomes e novas sonoridades.
Fotos: Ana Ribeiro












































