
John Watts e os Fischer-Z regressaram a uma sala particularmente simbólica para a história da banda em Portugal. Quarenta e seis anos depois da primeira passagem pelo Coliseu dos Recreios, o grupo britânico voltou a Lisboa para celebrar cinco décadas de carreira, numa noite marcada pela nostalgia, pela força das canções e pela ligação entre passado e presente.
O Coliseu dos Recreios recebeu, na noite de 4 de setembro, uma das bandas mais marcantes da new wave e do rock alternativo britânico. Os Fischer-Z regressaram a Lisboa para um concerto integrado nas comemorações dos seus 50 anos de carreira, numa atuação que juntou várias gerações de fãs e revisitou algumas das páginas mais importantes da história do grupo.
A escolha do Coliseu não poderia ser mais simbólica. Foi precisamente nesta sala que os Fischer-Z se apresentaram pela primeira vez em Portugal, em novembro de 1980. Mais de quatro décadas depois, John Watts voltou ao mesmo palco para reencontrar um público que mantém uma relação especial com a música da banda.
E a resposta foi clara: casa cheia para uma noite que rapidamente ultrapassou o conceito de simples concerto comemorativo.
UMA VIAGEM POR CINCO DÉCADAS
Ao longo da atuação, os Fischer-Z percorreram diferentes momentos da sua extensa carreira, recuperando temas que ajudaram a definir a identidade da banda e que continuam a fazer parte do imaginário da new wave europeia.
Canções como “The Worker”, “So Long”, “Marliese” e “Room Service” assumiram naturalmente um lugar de destaque num alinhamento construído em torno da memória, mas sem transformar o espetáculo numa simples viagem ao passado.
A música dos Fischer-Z continua a revelar uma particular capacidade para cruzar melodias fortes com uma escrita marcada pela observação social e política. Essa característica, presente desde os primeiros anos da banda, mantém-se como uma das principais marcas do trabalho de John Watts.
JOHN WATTS, O CENTRO DE TUDO
No centro do palco esteve John Watts, fundador, vocalista e principal rosto dos Fischer-Z.
Com uma carreira construída ao longo de cinco décadas, Watts demonstrou que a passagem do tempo não apagou a identidade artística que tornou a banda uma referência. Entre canções, memórias e momentos de maior intensidade, o músico conduziu o público por uma viagem que atravessou diferentes fases da história dos Fischer-Z.
Mais do que uma celebração do passado, a noite mostrou uma banda consciente da sua história, mas ainda interessada em olhar para a frente.
UM NOVO CAPÍTULO
A celebração dos 50 anos coincidiu com um momento particularmente importante para os Fischer-Z: o lançamento de X-Ray Serenade, novo álbum da banda.
O disco representa uma nova etapa num percurso iniciado em 1976 e demonstra que, apesar de cinco décadas de carreira, John Watts continua a procurar novos caminhos criativos.
A apresentação do novo trabalho em Lisboa acrescentou uma dimensão especial ao concerto. Entre os clássicos que marcaram diferentes gerações e o material mais recente, os Fischer-Z conseguiram construir uma ponte entre a banda que conquistou o público europeu no final dos anos 70 e o grupo que continua hoje a criar e a subir aos palcos.
UMA NOITE PARA RECORDAR
O concerto começou pouco depois das 21h00 e prolongou-se durante cerca de uma hora e cinquenta minutos, numa atuação que percorreu diferentes períodos da carreira dos britânicos.
No Coliseu dos Recreios, a nostalgia esteve presente, mas não dominou a noite. O que se sentiu foi sobretudo a força de um repertório que conseguiu sobreviver a mudanças de décadas, tendências e gerações.
Para muitos dos presentes, o concerto representou o reencontro com músicas que fazem parte das suas próprias memórias. Para outros, foi a oportunidade de descobrir ao vivo uma banda cuja influência ultrapassa largamente os anos em que surgiu.
No final, ficou a sensação de que os Fischer-Z não vieram apenas a Lisboa celebrar 50 anos.
Vieram provar que algumas canções não envelhecem.
E que, quando a memória encontra a energia do presente, cinco décadas de carreira podem transformar-se numa noite verdadeiramente especial.
Fotos: Rui Pereira







