Ana Frango Elétrico: Brasil Experimental a Acordar o Último Dia de Coura

Eram pouco mais de cinco da tarde quando o anfiteatro natural do Taboão recebeu uma das atuações mais aguardadas e surpreendentes do dia: Ana Frango Elétrico, cantora, compositora e produtora brasileira, estreou-se no Vodafone Paredes de Coura com um concerto que abriu horizontes e desafiou convenções.

Num horário em que muitos ainda se refugiavam do calor à beira-rio, a artista carioca trouxe um sopro de frescura ao festival. O seu repertório, que cruza o pós-MPB com o jazz, o pop experimental e toques de psicadelismo, fez-se ouvir em canções como as de Me Chama de Gato Que Eu Sou Sua (2023), um dos discos mais aclamados da nova música brasileira.

Apesar do sol intenso, o público manteve-se atento, embalado pela intensidade emocional das letras e pela atmosfera inventiva criada no palco. Ana mostrou-se não apenas como cantora, mas como performer completa: comunicativa, energética e dona de uma presença magnética, conseguiu criar uma ligação imediata com a audiência.

Com apenas 26 anos, já soma nomeações ao Grammy Latino e uma reputação crescente além do Brasil. Em Coura, confirmou porquê: cada tema parecia nascer da fusão entre experimentação artística e confissão íntima, como se a artista abrisse um diário ao som de guitarras, sintetizadores e batidas inesperadas.

No final, ficou a certeza de que Ana Frango Elétrico não foi apenas a abertura do último dia de festival — foi também um dos momentos mais autênticos e desafiadores desta edição. Entre aplausos prolongados e expressões de surpresa, Coura despediu-se dela com a sensação de ter testemunhado o futuro da música brasileira, já a acontecer no presente.

Fotos: Ana Ribeiro

 

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *