
Super Bock Arena recebeu ontem uma das vozes mais marcantes da música brasileira. Marisa Monte apresentou no Porto o espetáculo “Phonica – Marisa Monte & Orquestra ao Vivo”, num concerto que juntou a intimidade da sua interpretação à dimensão grandiosa de uma orquestra sinfónica.
Com início marcado para as 21h30, o espetáculo apresentou uma nova leitura de canções que atravessam mais de três décadas de carreira. Marisa Monte subiu ao palco acompanhada pela sua banda e por uma orquestra sinfónica de 55 músicos, dirigida pelo maestro André Bachur, num encontro entre a música popular brasileira e a linguagem clássica.
Desde os primeiros acordes de “Vilarejo”, ficou definido o ambiente da noite: elegante, emotivo e marcado por uma sonoridade de grande escala. O alinhamento percorreu diferentes fases da carreira da cantora, recuperando temas como “Infinito Particular”, “Maria de Verdade”, “Ainda Bem”, “Amor I Love You”, “Beija Eu” e “Gentileza”.
Entre a carreira a solo e os Tribalistas
Um dos elementos centrais de “Phonica” foi a presença de canções associadas aos Tribalistas, projeto que Marisa Monte partilha com Arnaldo Antunes e Carlinhos Brown. No Porto, o público ouviu, entre outras, “Carnavália”, “Aliança” e “É Você”, integradas nos novos arranjos orquestrais.
A proposta do espetáculo passa precisamente por dar uma nova dimensão a músicas conhecidas, sem perder a identidade original. A voz de Marisa Monte permanece no centro, enquanto os arranjos ampliam as melodias e criam momentos de maior intensidade.
Uma viagem por mais de 30 anos de música
O alinhamento foi também uma viagem pela história musical da artista. Depois de momentos mais delicados, o concerto ganhou diferentes intensidades com temas como “Segue o Seco”, “Panis et Circenses”, dos Mutantes, e “Cérebro Eletrônico”, de Gilberto Gil.
A escolha de repertório revelou uma artista que continua a dialogar com diferentes gerações e linguagens musicais. Entre a MPB, o pop, o samba e a tradição da música brasileira, “Phonica” construiu uma ponte entre o popular e o erudito.
A força da simplicidade
Apesar da dimensão da produção, o espetáculo não dependeu apenas da grandiosidade da orquestra. Grande parte da força do concerto esteve na interpretação de Marisa Monte. A sua voz, reconhecida pela delicadeza e precisão, encontrou nos arranjos sinfónicos espaço para ganhar novas nuances sem perder a proximidade.
O resultado foi um espetáculo em que a escala orquestral e a dimensão mais intimista das canções coexistiram ao longo de cerca de duas horas, duração anunciada pela própria Super Bock Arena.
“Phonica” chegou ao Porto depois da passagem por Lisboa, dois dias antes, e integra uma nova fase do projeto iniciado no Brasil em 2025. A digressão propõe precisamente essa releitura sinfónica do repertório de Marisa Monte, acompanhada por uma grande formação orquestral.
Uma noite de memória e reencontros
No final, mais do que uma simples apresentação de canções conhecidas, o concerto afirmou-se como uma celebração da obra de Marisa Monte e da própria música brasileira.
Entre canções que fazem parte da memória coletiva e novos arranjos que lhes deram outra dimensão, a noite de 20 de setembro ficou marcada pelo encontro entre uma das grandes vozes da música brasileira e o público do Porto.
Na Super Bock Arena, “Phonica” mostrou que canções com décadas de história podem continuar a ganhar novas formas sem perder aquilo que as tornou especiais.
Fotos: Ana Ribeiro











